Logitech Lift: mouse vertical realmente é mais confortável?
Eu sempre tive curiosidade sobre esses mouses verticais. A proposta parece fazer bastante sentido, já que a mão fica numa posição bem diferente do que acontece com um mouse tradicional. Mas a minha dúvida era justamente aquela: será que na prática isso realmente deixa o uso mais confortável ou é só mais uma daquelas coisas que parecem boas no papel?
Foi por isso que eu resolvi deixar o Logitech Lift no meu setup principal durante um bom tempo. Eu já tinha o mouse há mais de seis meses, mas antes ele ficava no meu setup secundário e eu usava só de vez em quando. Então decidi usar ele de forma mais constante para conseguir entender melhor como seria a adaptação.
E vou ser sincero, nos primeiros dias eu não gostei nada.
Quando eu troquei meu mouse convencional pelo Lift, eu achei estranho demais. Nos primeiros três dias eu perdi bastante precisão e a vontade que eu tinha era simplesmente pegar meu mouse antigo e voltar pra ele.
Só que depois comecei a perceber que o problema não era exatamente o formato vertical ser desconfortável. Era a mudança de um mouse para outro mesmo. Minha mão estava acostumada há anos com uma determinada posição e, de repente, eu estava usando o mouse de uma maneira completamente diferente.
Depois de algum tempo eu fui me acostumando e hoje eu até acho que a posição do Lift faz bastante sentido.
A proposta do mouse vertical é justamente deixar a mão em uma posição mais natural. Em vez de deixar o pulso praticamente deitado sobre o mousepad, eu fico com a mão mais na vertical, como se estivesse segurando alguma coisa.
Na prática, eu sinto que isso diminui aquela rotação que eu normalmente faço com o braço para usar um mouse tradicional. E depois que me acostumei, achei a posição bem agradável para trabalhar durante várias horas.
Mas isso não significa que eu acho que todo mundo deveria abandonar o mouse convencional e comprar um vertical.
Para jogar, por exemplo, eu não recomendaria o Lift. Eu consigo jogar com ele, mas não acho que seja a melhor opção para isso. A posição não é tão boa para fazer movimentos rápidos no mousepad e eu também sinto que o peso acaba atrapalhando.
Dependendo de como eu movimento o mouse, até o meu dedo mindinho pode acabar encostando no mousepad. Para tarefas de precisão e movimentos rápidos isso pode incomodar bastante.
E esse também não é o objetivo principal do Lift.
Eu vejo ele muito mais como um mouse para trabalho, estudo e uso diário. Nesse cenário ele funciona muito bem.
Uma coisa que me surpreendeu bastante foi a bateria. O Logitech Lift funciona com uma pilha e a Logitech promete uma autonomia de até dois anos.
Eu usei o mouse durante mais de seis meses e, mesmo não usando ele o tempo inteiro nesse período, ainda tinha cerca de 40% de bateria indicado no software Logitech Options.
Então, pelo menos na minha experiência, a autonomia é realmente muito boa. É aquele tipo de mouse que eu praticamente esqueço que precisa trocar a pilha.
O único lado negativo é que a pilha deixa o mouse um pouco mais pesado. Mas como eu estou usando o Lift principalmente para produtividade e não para jogar, isso não chega a ser um problema tão grande.
A conectividade também me agradou bastante. Eu posso usar o receptor USB que vem com o mouse ou conectar pelo Bluetooth.
Eu preferi usar o Bluetooth durante boa parte do meu teste, principalmente porque consigo deixar até três dispositivos conectados. Existe um botão na parte de baixo que eu aperto para alternar entre eles.
Isso é muito útil quando eu estou trabalhando com mais de um computador.
Outra função que gostei bastante é a possibilidade de usar o Logitech Flow. Com ele eu consigo passar o cursor de um computador para outro e até transferir arquivos entre eles.
No meu caso, achei interessante porque posso estar usando Windows em um computador e macOS em outro e simplesmente arrastar o arquivo de uma tela para outra. É uma daquelas funções que parecem desnecessárias quando a gente vê pela primeira vez, mas depois que acostuma começa a fazer falta quando não tem.
Também consigo personalizar várias funções pelo Logitech Options. Posso trocar as funções dos botões, configurar a rodinha e deixar o mouse mais adaptado para o meu jeito de trabalhar.
Fisicamente, eu gostei bastante do acabamento. Ele tem uma aparência mais sóbria, com uma cor meio grafite e uma estrutura emborrachada que ajuda bastante na pegada.
Mas tem uma coisa que eu acho importante falar: a Logitech recomenda o Lift principalmente para pessoas com mãos pequenas ou médias.
No meu caso ele funcionou bem, mas se eu tivesse uma mão muito grande provavelmente procuraria o Logitech MX Vertical, que é maior e mais robusto, apesar de também ser mais caro.
Os botões laterais foram uma das poucas coisas que eu não gostei muito. Eu achei que eles poderiam estar um pouco mais para frente. Do jeito que estão, ficam um pouco recuados e não são tão naturais para eu alcançar.
Já os botões principais são bem legais.
Eles são muito silenciosos e têm um clique macio e preciso. Para quem trabalha de noite e não quer ficar fazendo aquele barulho de clique pela casa inteira, eu acho isso uma vantagem bem interessante.
No centro também existe um botão que vem configurado para alterar a sensibilidade do mouse.
A rodinha é outro detalhe que eu gostei. Ela não chega a ter aquele rolamento infinito que eu já vi em outros mouses da Logitech, mas possui um sistema inteligente que entende quando eu estou rolando a página mais rapidamente.
Quando eu giro a rodinha com mais velocidade, ela muda o comportamento e facilita bastante para navegar por páginas grandes e documentos.
Sobre o sensor, eu não consegui descobrir exatamente qual modelo a Logitech utiliza no Lift. A empresa informa que ele consegue chegar a 4.000 DPI e eu posso ajustar a sensibilidade entre 400 e 4.000 DPI.
Para o uso no dia a dia isso é mais que suficiente.
E, sinceramente, eu fiquei até surpreso com a precisão. Mesmo sendo um mouse voltado para produtividade, ele rastreia muito bem. Eu consigo fazer movimentos pequenos e precisos, inclusive para coisas como selecionar ou recortar alguma coisa no Photoshop.
Então não é aquele mouse vertical que tem um sensor ruim só porque não foi feito para jogos.
O problema para jogar fica mais no formato e no peso mesmo.
Eu consigo jogar com ele depois de me acostumar, mas quando preciso fazer movimentos rápidos pelo mousepad eu sinto que ele não foi pensado para isso. O Lift claramente foi feito para trabalhar, navegar, estudar e passar horas no computador.
E nesse ponto eu acho que ele cumpre muito bem o papel.
Depois de passar pela estranheza dos primeiros dias, eu comecei a gostar bastante da posição da mão. Hoje eu consigo entender melhor a proposta dos mouses verticais e porque algumas pessoas preferem esse formato.
Mas eu também não acho que seja necessário trocar um mouse convencional se você já está confortável com ele.
Se eu não tivesse nenhum desconforto usando um mouse tradicional, provavelmente não teria motivo para comprar o Lift. A mudança só faria sentido para mim se eu estivesse procurando justamente uma posição diferente para a mão ou se quisesse experimentar uma alternativa mais voltada para ergonomia.
E tem também a questão do preço. O Lift não é exatamente barato, então eu não compraria simplesmente por curiosidade sem antes saber se esse tipo de formato funciona para mim.
Eu acho até mais interessante testar um mouse vertical mais barato primeiro. Existem modelos mais simples que podem servir para descobrir se eu realmente gosto dessa posição antes de investir em um Logitech Lift.
No meu caso, depois de meses usando, eu gostei da experiência.
Só não acho correto dizer que o mouse vertical vai resolver automaticamente qualquer problema de pulso ou tendinite. Pelo que eu pesquisei e pelo próprio conteúdo que serviu de base para esse review, a ideia é que uma ergonomia diferente pode ajudar algumas pessoas, mas isso não significa que simplesmente trocar o mouse vai acabar com uma dor.
Eu vejo isso mais como uma mudança de hábito e ergonomia do ambiente. Alongamentos, pausas durante o trabalho e, principalmente quando existe dor ou algum problema persistente, procurar orientação profissional são coisas muito mais importantes do que simplesmente comprar um mouse diferente.
No final das contas, minha experiência com o Logitech Lift foi bem melhor do que eu esperava.
Eu odiei usar nos primeiros dias, achei estranho, perdi precisão e quase voltei imediatamente para o meu mouse antigo. Mas depois que minha mão se acostumou, eu comecei a gostar bastante da posição vertical.
Para trabalhar, navegar na internet e passar bastante tempo no computador, eu considero o Lift muito confortável. A bateria também é excelente, a conexão funciona muito bem e as opções de personalização deixam o mouse bem versátil.
Para jogos, eu continuaria usando outro mouse.
Então, se eu tivesse que resumir minha experiência, eu diria que o mouse vertical pode sim ser mais confortável, mas eu precisei de um período de adaptação para perceber isso. E não acho que seja uma solução obrigatória para todo mundo.
No meu caso, eu gostei da mudança e hoje vejo mais sentido nesse formato do que via antes. Mas se você já está confortável com seu mouse atual, eu não trocaria só porque o formato vertical parece mais ergonômico. Eu testaria primeiro e veria como minha própria mão reage.



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