Qual é o fone certo para você? O que eu aprendi testando opções para diferentes usos

Vou começar esse texto com uma opinião que talvez seja meio polêmica: nem sempre o melhor fone de ouvido do mundo é o melhor fone para você.

Eu vejo muita gente pesquisando os modelos mais bem avaliados, comprando um fone caríssimo e depois descobrindo que ele não resolve o problema que a pessoa realmente tinha. Às vezes o fone é excelente, mas a pessoa queria usar no metrô e ele não isola bem o barulho. Em outros casos, compra um Bluetooth para trabalhar e o microfone não é bom, a bateria acaba durante uma reunião ou simplesmente não existe necessidade de usar um sem fio.

Foi pensando nisso que eu acho mais interessante separar os fones pelo tipo de uso, e não simplesmente fazer uma lista dos “melhores fones”.

Eu mesmo percebi isso conforme fui conhecendo mais esse mundo. Existem opções muito boas para praticamente qualquer situação, mas o que muda bastante é o que cada pessoa espera do fone.

Para quem só quer praticidade

Se você simplesmente quer colocar um fone no bolso e sair usando, eu acho muito difícil bater os modelos TWS, aqueles pequenos fones totalmente sem fio que ficam dentro do ouvido.

A praticidade é muito grande. Não tem cabo, ocupa pouco espaço e dá para usar praticamente em qualquer lugar. Como eles são intrauriculares, também conseguem bloquear uma parte do barulho externo naturalmente. Quando você adiciona cancelamento ativo de ruído, a coisa fica ainda melhor.

Um modelo que eu considero interessante para gastar pouco é o QCY T13 ANC. Ele é pequeno, tem uma construção legal, cancelamento ativo de ruído, bateria boa e aplicativo próprio. Pelo preço, que costuma ficar perto dos R$ 150, acho uma opção bem interessante para quem quer simplesmente um fone bom sem gastar muito.

Tem também o Lenovo GM2 Pro, que costuma ser ainda mais barato, mas eu acho que vale colocar um pouco mais de dinheiro no T13 se o orçamento permitir, principalmente por causa dos recursos.

Subindo de categoria, existem opções como o Cuba Mari 2 e o Anker Liberty 4 NC. O Mari 2 tem recursos como Bluetooth 6.0, cancelamento de ruído, modo transparência, conexão multiponto e baixa latência. Uma coisa que eu gosto nele é a possibilidade de substituir algumas peças caso você perca um dos lados ou o estojo.

O Liberty 4 NC também é muito completo, com boa construção, aplicativo interessante e um cancelamento de ruído bem competente. Eu acho que ele pode fazer mais sentido para quem valoriza bastante os recursos extras.

E chegando nos modelos mais caros, o Huawei FreeBuds Pro 5 me chamou bastante atenção. Ele entrega uma experiência muito completa em construção, conexão, recursos e qualidade sonora, mas normalmente custa menos que alguns concorrentes diretos de Samsung e Apple.

Se você vive no ônibus, metrô ou avião

Aqui a história muda um pouco.

Eu até acho que os TWS continuam funcionando muito bem, principalmente os que possuem ANC, mas se a sua principal preocupação é o barulho externo, eu começaria a olhar para os headphones Bluetooth.

Eles são maiores e menos discretos, claro. Não dá para simplesmente jogar no bolso igual um TWS. Só que normalmente são mais confortáveis para passar várias horas usando, têm baterias maiores e criam aquela sensação de “casulo” em volta da cabeça que eu acho muito interessante quando estou em um ambiente barulhento.

Uma opção que eu considero muito interessante pelo preço é o Edifier H6? — nesse ponto eu prefiro manter o nome exatamente como apresentado na gravação original: Green Hightun Max 5C. O modelo é citado como uma opção que frequentemente aparece abaixo dos R$ 200 e que entrega uma combinação interessante de conforto, construção, recursos e cancelamento de ruído.

Se quiser subir de preço, aparece o Anker Space One. Ele custa bem mais, mas tem construção mais refinada, recursos melhores e um cancelamento de ruído mais competente. Em relação ao som, eu acho que existem situações em que o modelo mais barato acaba agradando mais, mas isso depende bastante do que você procura.

Já em uma categoria bem acima está o Bose QC Ultra Gen 2, que entra naquela faixa de headphones premium. O grande destaque é o cancelamento ativo de ruído, além do conforto e da qualidade sonora. Só que aqui já estamos falando de um investimento de aproximadamente R$ 3.500, então obviamente não é uma compra que faz sentido para todo mundo.

Para trabalhar ou passar o dia inteiro usando fone

Para trabalho, principalmente para quem passa horas em reunião ou ouvindo música e podcast, eu comecei a olhar para uma coisa antes de qualquer especificação: conforto.

Não adianta ter um som maravilhoso se depois de duas horas você já está querendo arrancar o fone da cabeça.

Uma opção mais barata que achei interessante é o Ravit H2002D. Apesar de ser vendido como headset gamer, ele tem um visual relativamente discreto e funciona bem para trabalho. O microfone é removível, o conforto é bom e a qualidade sonora é interessante pelo preço.

Outra possibilidade citada é o NIA, da Cuba, que foi desenvolvido pensando mais nesse uso corporativo. A ideia dele é justamente ser leve e modular, permitindo trocar várias partes do fone. Isso é algo que eu acho interessante principalmente para quem vai usar o equipamento por bastante tempo.

Também existe a opção dos in-ear cabeados. Nesse caso, um modelo que eu achei interessante é o Samsung HG USB-C, aquele tipo de fone que lembra os modelos que acompanhavam alguns celulares Galaxy.

Eu gosto da ideia para trabalho porque você não precisa se preocupar com bateria. O fone fica conectado ao computador e pronto. Ele também é confortável e tem um microfone que considero competente.

Só tem um detalhe importante: como existem falsificações, eu teria bastante cuidado na hora de comprar.

Para quem quer gastar mais em um in-ear com foco em chamadas, aparece o Celeste Wienvern Pro, que tem um microfone mais próximo da boca e consegue isolar bastante o ambiente.

E para jogar?

Aqui eu acho que existe muita confusão.

Durante muito tempo, o mercado gamer tentou vender headset com todo tipo de recurso mirabolante: 7.1, vários alto-falantes dentro da concha, surround físico e um monte de coisa que parecia impressionante na caixa.

Hoje eu acho que um bom headset estéreo, combinado com um software de virtualização espacial competente, já consegue entregar uma experiência muito boa para jogos.

Para gastar pouco, eu continuaria com o Ravit H2002D. Ele é confortável, tem microfone removível, construção interessante e uma qualidade sonora muito boa considerando o preço.

Em uma faixa acima, aparece o HyperX Cloud 3S. Uma coisa importante aqui é que eu não testei pessoalmente esse modelo, então não vou fingir que testei. A indicação veio das medições e das avaliações de pessoas em quem eu confio dentro desse mercado.

Já o headset que eu uso no dia a dia para jogar é o Corsair Virtuoso RGB Wireless. Ele é muito bem construído, confortável e versátil. Dá para usar com fio ou sem fio, tem um bom microfone e um aplicativo com equalizador.

Talvez existam modelos com qualidade sonora superior, mas eu gosto bastante do conjunto que o Virtuoso entrega.

Para quem quer começar a entrar no mundo da áudiofilia

Aqui é onde as coisas começam a ficar perigosas, porque esse negócio de áudio é praticamente um buraco sem fundo.

Eu comecei a perceber que não é necessário gastar milhares de reais para descobrir o que um fone melhor consegue fazer.

Para quem quer gastar o mínimo possível, uma opção que eu acho muito interessante é o GK Konten, que aparece na faixa abaixo dos R$ 100. Pelo preço, a qualidade sonora impressiona bastante. Ele tem uma sonoridade envolvente, natural e equilibrada.

Se a pessoa quiser gastar mais, eu acho que vale mais a pena dar um salto maior em vez de ficar trocando de fone a cada R$ 100 ou R$ 200. Uma das opções citadas é o Truthear Pure, que fica em uma faixa de aproximadamente R$ 650 a R$ 800 e apresenta um som mais correto e equilibrado, mas ainda com uma característica mais calorosa.

Acima disso, o Hifiman Daybreak aparece como uma opção que eu considero realmente muito interessante. Ele tem uma sonoridade natural, equilibrada, detalhada e bastante envolvente.

Nos headphones, uma opção mais acessível é o Arcano SHP80. Ele é aberto, confortável e consegue criar uma sensação de espaço que eu acho muito legal principalmente em músicas acústicas.

Depois vem o Hifiman HE400 SE, que é um planar magnético. Esse foi um daqueles fones que, quando eu ouvi pela primeira vez, pensei que seria capaz de mostrar detalhes que eu simplesmente não percebia antes.

Só que ele tem alguns problemas. É um fone aberto, então não serve para qualquer ambiente, e também pode precisar de um amplificador para funcionar adequadamente em alguns equipamentos. Além disso, a sonoridade dele é mais fria e analítica, então não acho que seja a melhor escolha para quem quer simplesmente colocar uma música e ficar curtindo graves fortes.

Como alternativa fechada, aparece o Cuba Disco, que é mais portátil e tem uma sonoridade mais divertida, com graves mais presentes.

E, subindo ainda mais, tem o Hifiman Edition XS. Esse já entra em uma categoria em que a qualidade sonora é realmente muito impressionante. Ele consegue entregar bastante detalhe, refinamento e espacialidade.

O ponto é que a construção dele não é exatamente o que eu consideraria o maior destaque. Nesse caso, você está pagando principalmente pela experiência sonora.

No fim das contas, foi justamente isso que eu percebi pesquisando e usando tantos fones: não existe um modelo que seja simplesmente “o melhor” para todo mundo.

O fone que funciona muito bem para mim pode ser uma péssima escolha para outra pessoa. Se eu vou passar o dia trabalhando, minha prioridade é conforto. Se vou pegar metrô, quero isolamento. Para jogar, preciso pensar no conforto, microfone e espacialidade. E se quero entrar na áudiofilia, aí a conversa muda completamente.

Então, antes de olhar qual é o fone mais bem avaliado ou o mais caro, eu acho que vale fazer uma pergunta bem mais simples: onde e como eu realmente vou usar esse fone?

Depois que eu comecei a pensar dessa maneira, ficou muito mais fácil escolher. E, sinceramente, acho que isso evita bastante aquela situação de gastar uma fortuna em um fone excelente e depois descobrir que ele não era exatamente o que eu precisava.

Matheus Cunha é redator profissional, sendo uma referência, formado em jornalismo pela UFPEL, com mais de 10 anos em jornalismo digital. Especialista em otimização para buscadores e SEO. Formado também em Marketing, unindo expertise técnica e editorial para produzir conteúdos reais, precisos e estratégicos. Contato: matheuscunha@creditfinanceiro.com.br

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