Monitor TN, VA ou IPS: o que eu percebi na prática usando os três

Fala galera, tranquilo? Nesse artigo eu quero conversar um pouco sobre uma coisa que parece simples, mas quando a gente começa a pesquisar monitor percebe que tem bastante detalhe envolvido: a diferença entre os painéis TN, VA e IPS.

Eu já tinha feito um conteúdo sobre especificações de monitores há um tempo, mas resolvi voltar nesse assunto porque muita coisa mudou. Hoje a gente encontra monitor com 120 Hz, 144 Hz, 165 Hz, 240 Hz, 280 Hz e até mais, então aquelas diferenças que a gente encontra nas comparações pela internet nem sempre representam exatamente o que acontece na prática.

Pra tentar entender melhor isso, eu coloquei lado a lado três monitores diferentes, cada um com um tipo de painel: TN, VA e IPS.

E já adianto uma coisa que eu achei interessante: não dá pra simplesmente falar que TN é ruim, VA é intermediário e IPS é sempre melhor. Na prática a história é um pouco mais complicada.

Primeiro eu precisei entender o que é LCD, LED e TFT

Uma coisa que sempre vejo confundindo quando o pessoal pesquisa monitor é a diferença entre LCD e LED.

Na verdade, os monitores que eu estava testando são LCD. O LED está relacionado principalmente à iluminação que fica atrás do painel, o chamado backlight.

É essa iluminação que gera a luz que vai passar pelas outras camadas do monitor.

Depois vem uma camada polarizadora, a camada TFT, o cristal líquido, o filtro de cores RGB e, por fim, a parte de vidro que a gente enxerga.

A parte mais curiosa pra mim é justamente o cristal líquido.

Ele não é simplesmente uma tela que muda de cor. Existe uma camada com estruturas microscópicas que conseguem mudar de posição conforme a tensão elétrica aplicada. É essa movimentação que controla a passagem da luz pelas camadas polarizadoras.

É meio estranho pensar nisso quando a gente olha para um monitor funcionando, porque por fora parece uma coisa extremamente simples. Mas quando começa a entender como o painel é construído, percebe que tem bastante coisa acontecendo ali.

E é justamente a forma como esses cristais líquidos trabalham que diferencia os principais tipos de painel que encontramos nos monitores.

O painel TN é rápido, mas tem algumas limitações

Começando pelo TN, que é o painel que durante muito tempo ficou muito associado aos monitores gamers.

A principal vantagem que eu percebo nele é a velocidade.

O funcionamento do cristal líquido nesse tipo de painel permite transições bastante rápidas, então é comum encontrar monitores TN com taxas de atualização muito altas e bons tempos de resposta.

Pra quem joga competitivamente, isso pode fazer bastante diferença.

Só que existe um problema que fica muito evidente quando eu começo a olhar a tela de lado: o ângulo de visão.

Quando eu fico praticamente de frente, a imagem parece normal. Mas conforme eu vou aumentando o ângulo, as cores começam a mudar bastante. Em alguns pontos parece até que colocaram uma película escura na tela.

Olhando de baixo a situação fica ainda mais evidente.

Então, se eu estivesse procurando um monitor principalmente para trabalhos onde fidelidade de cor é importante, como fotografia ou design, eu teria que prestar bastante atenção nisso.

Outra coisa que eu achei interessante é que hoje os monitores TN não estão necessariamente presos às especificações antigas que a gente costuma encontrar nas comparações.

O modelo que eu estava testando, por exemplo, chegava a 280 Hz.

Então continua sendo um tipo de painel muito interessante para quem valoriza velocidade e alta taxa de atualização.

O VA me chamou atenção principalmente pelo contraste

Depois eu fui para o painel VA.

Historicamente, eu sempre vejo o VA sendo colocado como uma espécie de meio termo entre TN e IPS. Ele costuma ter cores melhores e ângulos de visão melhores que o TN, mas geralmente não é tão rápido quanto os melhores TN.

Só que uma característica do VA que eu acho muito interessante é o contraste.

Quando eu olho para cenas escuras, principalmente filmes ou jogos com ambientes com pouca iluminação, dá pra perceber melhor a diferença entre as áreas pretas e as áreas mais claras.

Isso acontece porque os painéis VA costumam apresentar uma taxa de contraste maior.

É aquela diferença que parece pequena quando está escrita na especificação, tipo 1000:1 ou 3000:1, mas que pode aparecer bastante quando eu estou olhando para uma cena escura.

No meu teste, o VA também acabou apresentando uma capacidade de reprodução de cores muito interessante.

E isso foi uma das coisas que mais me chamou atenção, porque eu esperava que o IPS fosse automaticamente o melhor nesse ponto.

Mas não foi exatamente isso que aconteceu.

O IPS continua sendo muito interessante para cores e ângulo de visão

O IPS é provavelmente o tipo de painel que eu mais vejo sendo recomendado quando o assunto é qualidade de imagem.

E realmente existe motivo pra isso.

Uma das primeiras coisas que eu percebi foi o ângulo de visão.

Eu consigo movimentar a tela para os lados, olhar de cima ou de baixo e a imagem continua muito mais consistente.

Não acontece aquela alteração forte de cores que eu vi no TN.

Por isso o IPS acaba sendo muito interessante para quem trabalha com fotografia, edição, design gráfico ou simplesmente quer uma imagem com boa qualidade.

Outra vantagem é a fidelidade das cores.

Só que tem uma coisa importante: eu não acho correto simplesmente olhar para o nome IPS e assumir que qualquer monitor IPS vai ser automaticamente melhor que qualquer VA ou TN.

Meu próprio teste mostrou isso.

O IPS que eu estava usando tinha 280 Hz, então também era extremamente rápido. Isso mostra como a tecnologia dos monitores evoluiu.

Antigamente era muito mais fácil associar cada painel a uma determinada característica. Hoje o mercado já misturou bastante as coisas.

Eu fiz um teste de cores nos três monitores

Pra não ficar só naquela comparação teórica de internet, eu usei um calibrador Datacolor Spyder X Pro para verificar a capacidade de reprodução de cores dos três monitores.

O resultado foi bem curioso.

O monitor TN conseguiu reproduzir aproximadamente 96% do espaço sRGB, 76% do P3, 71% do NTSC e 74% do Adobe RGB.

No VA, os números foram melhores em alguns pontos. Ele chegou a 100% do sRGB, 87% do P3, 77% do NTSC e 82% do Adobe RGB.

Já o IPS ficou em aproximadamente 95% do sRGB, 76% do P3, 70% do NTSC e 74% do Adobe RGB.

Ou seja, nesse teste específico, o VA acabou sendo o que apresentou a maior cobertura de cores.

Isso foi uma surpresa pra mim.

É justamente por isso que eu acho perigoso pegar aquelas tabelas prontas de internet falando que TN é isso, VA é aquilo e IPS é aquilo outro.

Essas características são uma referência geral, mas o monitor específico pode apresentar resultados bem diferentes.

Hertz e tempo de resposta não são a mesma coisa

Outra coisa que eu acho importante separar é taxa de atualização e tempo de resposta.

Quando eu vejo um monitor de 280 Hz, por exemplo, isso significa que a tela consegue atualizar a imagem muitas vezes por segundo.

Um monitor de 60 Hz atualiza a imagem 60 vezes por segundo. Um de 120 Hz faz isso 120 vezes e assim por diante.

Só que isso não significa que um monitor com mais Hz necessariamente tenha um tempo de resposta melhor.

O tempo de resposta está relacionado ao tempo que o pixel leva para mudar de uma cor para outra.

É aí que aparece aquela especificação GTG, ou Grey to Grey.

Quanto menor esse tempo, em teoria, mais rápida é a transição do pixel e menor tende a ser o efeito de borrão ou ghosting.

Só que existe outra medida que também aparece em alguns monitores, que é a MPRT, relacionada ao tempo de resposta em imagens em movimento.

E aqui eu acho que muita gente acaba se confundindo porque olha apenas para o famoso “1 ms”.

Um monitor pode anunciar 1 ms GTG e outro anunciar 1 ms MPRT, mas essas duas medidas não representam exatamente a mesma coisa.

Então eu não gosto de comparar apenas o número de milissegundos sem entender qual tecnologia e qual método de medição está sendo utilizado.

O que eu entendi depois de testar os três

Depois de colocar os três monitores lado a lado, o que mais ficou claro pra mim é que aquelas definições tradicionais de TN, VA e IPS já não são tão absolutas quanto eram antigamente.

O TN continua sendo muito interessante quando eu quero velocidade e alta taxa de atualização, mas os ângulos de visão são uma limitação bem evidente.

O VA me chamou atenção pelo contraste e, nesse teste específico, também apresentou uma cobertura de cores muito boa.

Já o IPS continua sendo muito interessante pela qualidade das cores e principalmente pelo excelente ângulo de visão, mas não dá pra dizer que todo IPS será automaticamente superior em todos os aspectos.

Hoje eu consigo encontrar IPS com 240 Hz, 280 Hz e até mais, assim como encontro VA com taxas de atualização bastante altas.

Por isso, quando eu vou comprar um monitor, eu não olho mais apenas para o tipo de painel.

Eu também olho para taxa de atualização, tempo de resposta, contraste, cobertura de cores, resolução, brilho e, principalmente, para os testes daquele modelo específico.

Porque duas telas com o mesmo tipo de painel podem entregar experiências bem diferentes.

No fim das contas, foi justamente isso que eu achei mais interessante nesse teste. A teoria ajuda bastante a entender o que está acontecendo, mas quando eu coloco os monitores lado a lado e começo a medir, algumas coisas acabam sendo diferentes do que eu esperava.

E é por isso que eu acho que vale a pena olhar menos para aquela ideia de “TN é ruim, VA é médio e IPS é bom” e começar a olhar o monitor como um conjunto.

Dependendo do que eu vou fazer com ele, um painel pode fazer muito mais sentido que outro.

Pra jogar competitivamente, eu vou prestar muita atenção em Hz e tempo de resposta. Para trabalhar com imagens, vou olhar muito mais para cores e ângulo de visão. E se eu quiser assistir filmes ou jogar games com ambientes escuros, o contraste do VA pode acabar sendo um ponto muito interessante.

No final, não existe só um tipo de painel que serve pra todo mundo. O mais importante é entender o que eu realmente preciso e depois olhar as especificações e, se possível, testes reais daquele monitor.

Matheus Cunha é redator profissional, sendo uma referência, formado em jornalismo pela UFPEL, com mais de 10 anos em jornalismo digital. Especialista em otimização para buscadores e SEO. Formado também em Marketing, unindo expertise técnica e editorial para produzir conteúdos reais, precisos e estratégicos. Contato: matheuscunha@creditfinanceiro.com.br

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