Redragon Kumara Pro Wireless: minha experiência depois de usar o teclado
Já ouvi falar bastante do Redragon Kumara, principalmente porque ele é um daqueles teclados mecânicos que aparecem direto entre os mais vendidos. Mas dessa vez eu peguei para testar o Kumara Pro Wireless, que é uma versão um pouco mais atualizada do modelo tradicional.
A principal diferença que me chamou atenção logo de cara foi a conexão sem fio de 2.4 GHz. Além disso, esse modelo é Hot Swap, então dá pra trocar os switches sem precisar comprar outro teclado inteiro. Eu queria justamente testar se esse wireless realmente funcionava bem, se tinha atraso e também entender melhor a qualidade dos switches que a Redragon colocou nele.
O modelo que eu testei
Eu peguei a versão branca, que a Redragon chama de Lunar, e achei o teclado bem bonito. Ele tem aquele visual mais fechado, sem os switches aparecendo, e particularmente eu gosto mais desse estilo do que daqueles teclados com as teclas totalmente “flutuando”.
Como ele é um modelo TKL, não temos o teclado numérico do lado direito. No começo pode parecer estranho para quem está acostumado com teclado completo, mas depois eu achei bem tranquilo. Para jogar, inclusive, eu acho esse formato bem interessante porque sobra mais espaço para movimentar o mouse.
Outro ponto positivo é que essa versão vendida no Brasil utiliza layout ABNT2, então temos o Ç, acentos e as teclas no padrão que eu já estou acostumado a usar. Isso parece uma coisa pequena, mas para quem compra teclado importado sabe como é chato pegar um modelo com layout americano e ficar se adaptando.
Na caixa vem o próprio teclado, cabo USB-C, removedor de keycaps, removedor de switches e alguns switches reservas. Eu achei legal já vir com essas peças porque, como o teclado é Hot Swap, você realmente pode acabar precisando trocar algum switch no futuro.
A conexão sem fio fica escondida em um compartimento na parte traseira. Ele trabalha com 2.4 GHz e também tem Bluetooth 5.0, com possibilidade de deixar até três dispositivos pareados. Para alternar entre eles é só usar as combinações de teclas do próprio teclado.
A construção é simples, mas não é ruim
Aqui eu já esperava um pouco mais, principalmente porque o Kumara Pro não é exatamente um teclado baratinho.
A construção dele é praticamente toda em plástico ABS. Não é aquele teclado que você olha e pensa “caramba, isso aqui parece indestrutível”. Se eu fizer uma força considerável, consigo perceber uma pequena flexibilidade na estrutura. Ao mesmo tempo, usando normalmente, eu não tive nenhum problema com isso.
As keycaps também são de ABS. A parte interessante é que as inscrições são feitas em Double Shot, então não são simplesmente letras impressas na superfície. Isso significa que a chance de essas marcações desaparecerem com o tempo é muito menor.
Eu encontrei algumas pequenas rebarbas nas keycaps, principalmente olhando bem de perto. Nada que me incomodasse durante o uso, mas é um daqueles detalhes que mostram que a Redragon economizou em algumas partes para conseguir manter o preço mais acessível.
Eu também não recomendo usar esse tipo de keycap com a mão muito suja ou engordurada. O ABS tende a ficar com aquele aspecto meio brilhante e engordurado depois de bastante tempo de uso. Não é um problema exclusivo desse teclado, mas vale o cuidado.
Na parte inferior temos os pezinhos de inclinação e algumas borrachas para evitar que o teclado fique escorregando pela mesa. Não são dois níveis de regulagem, então achei um pouco simples nesse sentido.
E o switch? Eu escolhi o azul
A unidade que eu testei veio com switch azul, que é aquele clássico switch mecânico com sensação tátil e bastante barulho.
Eu particularmente gosto desse tipo de switch. Quando aperto a tecla, eu sinto aquele ponto de ativação e também escuto o famoso “click”. Só que eu sei que isso não é para todo mundo.
Se você trabalha de madrugada, divide quarto com alguém ou simplesmente não gosta de teclado barulhento, eu provavelmente não escolheria o azul.
O Kumara Pro também pode ser encontrado com switches Red e Brown. O Red é linear e mais silencioso, enquanto o Brown tenta entregar aquela sensação tátil, mas sem fazer tanto barulho quanto o Blue.
No fim das contas, switch é uma coisa muito pessoal. O que eu acho gostoso pode ser justamente o que outra pessoa acha irritante.
Uma coisa que me deixou com o pé atrás foi o switch utilizado nessa versão. A Redragon substituiu os switches antigos que tinham uma fama meio complicada por um modelo próprio chamado MK2, mas eu fiquei com a impressão de que ele ainda tem alguma relação com os switches antigos.
Eu não posso afirmar que é exatamente o mesmo switch porque não tive como confirmar isso completamente, mas foi uma das coisas que me deixou desconfiado durante o teste. Principalmente porque existem relatos de problemas de double click em determinados switches usados anteriormente pela marca.
Por isso eu preferi usar o teclado durante um tempo antes de dar minha opinião.
Depois de uma semana, o wireless me surpreendeu
Aqui foi onde eu mais queria testar o Kumara Pro.
Eu usei o teclado no modo wireless 2.4 GHz durante alguns dias, inclusive jogando, e sinceramente não senti nenhum delay. Não tive aquela sensação de que apertei uma tecla e ela demorou para responder.
Eu também gravei algumas partidas usando o teclado e não percebi nenhum comportamento estranho. Para mim, pelo menos durante esse período de teste, a conexão sem fio funcionou normalmente.
Eu tenho costume de usar teclado com fio, então acabei voltando para o cabo depois de um tempo. Mas isso foi muito mais uma questão de preferência minha do que algum problema com o wireless.
O Bluetooth também é uma opção interessante, principalmente se você quiser usar o teclado em mais de um dispositivo.
O RGB ficou muito bonito na versão branca
Outra coisa que eu gostei bastante foi o RGB.
Na versão Lunar, que é toda branca, a iluminação acaba ficando bem mais evidente e eu achei o resultado muito bonito. O teclado fica com uma aparência bem diferente quando o RGB está ligado.
Durante a gravação eu percebi algumas vezes que o RGB parecia dar umas bugadas na câmera. Não sei se era realmente um problema do teclado ou se era alguma interferência da câmera com a frequência da iluminação. Como depois ele voltava ao normal, não cheguei a considerar isso um problema grave.
O software da Redragon também é bem simples. Dá pra configurar iluminação, remapear teclas, criar macros e salvar alguns perfis. Não é um programa super elaborado, mas faz o que precisa fazer.
Para jogar e digitar, eu gostei
Depois de usar o Kumara Pro por aproximadamente uma semana, minha impressão geral foi positiva.
O formato TKL me agradou bastante para jogos e o switch azul que eu escolhi também combinou com meu gosto pessoal. Para digitar, eu também achei confortável, principalmente por já estar acostumado com switches mecânicos.
Os estabilizadores não são lubrificados de fábrica e não existe nenhum tipo de modificação especial no teclado. Mesmo assim, eles cumprem bem a função. Quando eu pressionava teclas maiores, como espaço e Enter, elas não ficavam tortas ou fazendo movimentos muito estranhos.
Então eu não colocaria o Kumara Pro naquela categoria de teclado extremamente refinado. Ele é um teclado relativamente simples, mas que entrega uma experiência boa no uso normal.
O problema começa quando eu olho para o preço.
Por cerca de R$ 310, eu já fico mais na dúvida
Na época do meu teste, o Kumara Pro Wireless estava custando aproximadamente R$ 310, enquanto eu tinha comprado o meu em uma promoção por cerca de R$ 250.
E aí minha opinião muda um pouco.
Por R$ 250 eu acho que ele faz mais sentido. Já por R$ 310, eu começaria a olhar outras opções antes de comprar.
Principalmente porque existem teclados importados nessa faixa de preço que oferecem uma experiência de digitação melhor, switches mais interessantes e até algumas modificações de fábrica.
Também existe o Kumara Pro Magnético, que utiliza switches magnéticos e, na minha opinião, é uma opção mais interessante se a diferença de preço não for muito grande. O mecanismo é diferente e tende a evitar alguns dos problemas que podem aparecer nos switches mecânicos tradicionais.
Então, depois de realmente usar o teclado, eu não diria que o Kumara Pro Wireless é ruim. Muito pelo contrário. Eu gostei dele, principalmente para jogar, gostei do formato TKL e fiquei satisfeito com o funcionamento do wireless.
Só que eu não acho que ele seja automaticamente a melhor compra pelo preço cheio.
Se eu encontrar uma promoção boa, principalmente abaixo dos R$ 300, eu acho que ele começa a ficar bem mais interessante. Agora, pagando o preço cheio, eu pesquisaria mais um pouco antes de bater o martelo.
No final, foi um teclado que me surpreendeu em algumas coisas, principalmente pela conexão sem fio não apresentar atraso perceptível. Ao mesmo tempo, ele também me mostrou que nem sempre um teclado conhecido e vendido no Brasil é necessariamente a melhor opção quando a gente compara com modelos mais novos que estão aparecendo no mercado.
Para mim, o Redragon Kumara Pro Wireless é um bom teclado, mas depende bastante do preço que eu encontrar na hora da compra.



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