Troquei meu MacBook Pro por um Air M5: foi downgrade ou escolha certa?
Eu não estava planejando trocar de computador tão cedo. Na verdade, meu MacBook Pro M2 ainda me atendia muito bem e eu provavelmente continuaria com ele por mais uns dois anos tranquilamente. Só que aconteceu uma coisa bem idiota: eu derrubei uma câmera bem na ponta da tela e consegui quebrar o display inteiro de uma vez. A tela simplesmente parou de funcionar.
A solução mais rápida foi comprar um monitor ultrawide, ligar o MacBook nele e continuar trabalhando. Funcionou, claro, mas matou justamente a coisa que eu mais gosto em notebook: a portabilidade.
Eu trabalho bastante com edição, faço vídeos, viajo e gosto de simplesmente pegar o computador e trabalhar em qualquer lugar. Às vezes eu só quero sair da mesa, sentar em outro canto, trabalhar numa cafeteria ou levar o computador numa viagem. Com monitor, adaptador e um MacBook com a tela quebrada, isso acabou.
Passei mais de 20 dias praticamente preso na mesa, e foi aí que comecei a pensar seriamente em trocar.
Eu não precisava exatamente de um Mac novo, precisava voltar a ter mobilidade
Eu já uso Mac faz bastante tempo e sempre gostei dessa ideia de ter um computador pequeno que eu consigo levar comigo.
Durante muitos anos eu usei um MacBook Pro maior, Intel, e ele funcionava bem para o meu trabalho no Final Cut. Só que era um computador grande e pesado. Quando comecei a viajar mais, ficou muito claro pra mim que eu preferia algo menor.
Foi por isso que depois eu fui para um MacBook Pro M2 menor. E mesmo ele sendo um modelo com aquela carcaça mais antiga, eu gostava bastante.
Só que ele tinha uma limitação que sempre me irritou: poucas portas.
Eu tinha basicamente duas USB-C e ainda precisava usar uma delas para carregar. Então se eu quisesse ligar dois HDs, um HD e um leitor de cartão ou qualquer combinação parecida, já começava aquela dança de adaptadores.
Não era o fim do mundo, mas era chato.
Quando a tela quebrou eu comecei a pesquisar o que poderia substituir ele e tentei pensar principalmente no que realmente importava pro meu uso.
Eu queria algo pequeno, leve e que pudesse editar meus vídeos.
Foi aí que comecei a considerar o MacBook Air M5.
Eu confesso que fiquei com medo de estar fazendo downgrade
Sair de um MacBook Pro e comprar um Air parece downgrade só pelo nome.
Eu mesmo pensei isso várias vezes.
Na minha cabeça, Pro era obviamente melhor que Air. Só que eu já tinha vivido uma situação parecida anos atrás.
Eu tinha um MacBook Pro Intel de 16 polegadas, com bastante memória, armazenamento maior e até GPU dedicada. Na época minha esposa comprou um MacBook com chip M1, muito mais simples no papel.
E aquele MacBook pequeno rodava absurdamente bem.
Foi uma das primeiras vezes que eu realmente percebi a mudança que aconteceu depois que a Apple saiu dos processadores Intel e começou a usar os próprios chips.
Desde o M1, eu sinto que esses computadores ficaram muito eficientes.
Por isso comecei a pensar que talvez um Air atual fosse muito mais computador do que eu imaginava.
Eu escolhi 13 polegadas de propósito
Eu fiquei em dúvida entre a versão de 13 e 15 polegadas.
Mas quanto mais eu pensava, mais o modelo de 13 fazia sentido para mim.
Eu queria justamente um computador que coubesse facilmente na mochila, numa mesinha de avião, numa mesa pequena de cafeteria ou em qualquer lugar que eu resolvesse trabalhar.
Se eu quiser uma tela grande em casa, já tenho o monitor ultrawide.
Então comprar um notebook maior meio que iria contra o motivo que estava me fazendo trocar de computador.
Eu escolhi o menor e, sinceramente, ainda acho que foi a decisão certa.
Eu também costumo prender meus SSDs externos no próprio notebook com velcro. Parece meio gambiarra, mas funciona muito bem pra mim porque consigo trabalhar com o computador no colo, dentro do avião ou em qualquer mesa pequena sem deixar HD pendurado pra todo lado.
A primeira edição já me surpreendeu
Uma das primeiras coisas que fiz foi abrir algumas timelines maiores no Final Cut.
E foi aí que eu comecei a ficar mais tranquilo com a compra.
O computador rodou tudo muito bem.
Eu cheguei a editar material gravado em câmeras bem pesadas e, pelo pouco que usei até agora, o desempenho me surpreendeu bastante.
Na verdade, em algumas tarefas ele pareceu claramente mais rápido que meu MacBook Pro M2 antigo.
E isso é meio estranho de pensar.
Eu saí de um computador com “Pro” no nome para um Air, mas como existe uma diferença enorme entre as gerações dos chips, não dá simplesmente para comparar pela linha.
No uso que eu fiz até agora, eu não senti que estava usando um computador mais fraco.
Muito pelo contrário.
O medo maior é o aquecimento
Aqui está a parte que ainda quero observar com mais tempo.
O MacBook Air não tem ventoinha.
Isso significa que ele depende de dissipação passiva para controlar a temperatura. Quando o computador esquenta demais, ele pode reduzir um pouco o desempenho para tentar controlar o calor.
E eu já percebi que ele esquenta.
Durante a edição, ficou um pouco quente. Nada absurdo no primeiro teste, mas obviamente eu ainda preciso usar muito mais para entender como ele vai se comportar em projetos grandes ou durante várias horas seguidas.
Esse é provavelmente o maior motivo pelo qual, pensando friamente no meu uso profissional, talvez um MacBook Pro fosse mais adequado.
Eu edito bastante e posso exigir bastante do processador durante períodos longos.
Só que existe uma diferença grande de preço, tamanho e peso.
Por enquanto eu estou disposto a aceitar esse risco em troca da portabilidade.
Se um dia eu perceber que ele começa a perder muito desempenho pelo calor, até dá para pensar em alguma solução simples quando estiver usando em casa. Mas viajando eu quero justamente ter o mínimo de coisas comigo.
Finalmente tenho uma porta de carregamento separada
Uma das pequenas mudanças que mais gostei foi o MagSafe.
Parece besta, mas no meu MacBook antigo eu carregava pela USB-C. Como eu só tinha duas portas, carregar significava perder metade das conexões disponíveis.
Nesse Air eu consigo carregar pelo MagSafe e continuo com as duas USB-C livres.
Para mim isso já foi uma baita melhora.
Consigo ligar um SSD e outro acessório sem ficar pensando que em algum momento vou ter que desconectar tudo só para carregar a bateria.
É aquela melhoria que não aparece muito numa comparação de benchmark, mas no dia a dia faz muita diferença.
Tem coisas que eu não gostei
Nem tudo foi perfeito.
Uma das primeiras coisas que me incomodou foi o áudio.
Eu achei os alto-falantes do Air bem abaixo do que eu esperava. Não é que seja inutilizável, mas vindo de outros Macs eu esperava mais.
Para mim não vira um problema gigante porque geralmente edito usando fones, mas foi uma diferença que percebi logo de cara.
Por outro lado, a webcam me surpreendeu positivamente.
Pela primeira vez eu realmente olhei para a câmera do notebook e pensei que poderia usar ela sem ficar incomodado com a qualidade.
Para chamadas e situações simples achei mais que suficiente.
O meu MacBook Pro antigo virou praticamente um desktop
Como a tela do Pro quebrou mas o computador continua funcionando normalmente, eu não pretendo simplesmente jogar ele fora.
Ele agora fica ligado no monitor, com teclado e mouse.
Na prática virou praticamente um Mac Mini.
Ainda consigo trabalhar nele em casa, deixar conteúdo rodando, usar como segunda máquina e aproveitar um computador que continua muito bom.
Então a compra do Air não significou exatamente substituir completamente o Pro. Acabou criando dois tipos diferentes de uso.
O Pro quebrado fica parado em casa e o Air virou a máquina que eu levo comigo.
E sinceramente, isso acabou funcionando melhor do que eu imaginava.
Pelo preço, eu achei que fazia sentido arriscar
Eu paguei aproximadamente 1.890 dólares canadenses, que na conversão do momento ficava perto dos R$ 6.400.
Não é barato, obviamente.
Mas quando comecei a comparar com um MacBook Pro atual, a diferença ficava grande demais para o orçamento que eu tinha naquele momento.
Eu poderia tentar comprar o Pro e provavelmente ficaria muito feliz com ele, principalmente pelas portas, refrigeração e algumas melhorias na tela.
Mas também teria um notebook mais pesado e grosso, justamente duas coisas que eu estava tentando evitar.
O Air é muito fino, leve e fácil de colocar na mochila.
Foi por isso que ele começou como uma solução quase provisória e rapidamente começou a parecer aquele famoso “provisório definitivo”.
Eu trocaria novamente?
Pelo pouco tempo que usei até agora, sim.
Mas eu ainda considero esse relato uma primeira impressão.
Eu quero usar bastante o MacBook Air M5 nas próximas viagens, editar projetos maiores, trabalhar por várias horas e principalmente descobrir até onde o aquecimento vai realmente me incomodar.
Eu sei que meu perfil teoricamente é de alguém que deveria comprar um MacBook Pro.
Só que existe uma diferença entre a ficha técnica dizer qual computador eu deveria comprar e a minha rotina dizer qual computador eu realmente quero carregar.
No meu caso, a portabilidade pesa demais.
Eu quero colocar o computador na mochila, sentar numa mesa pequena, abrir meu SSD e começar a editar. Não quero carregar uma máquina enorme só para ter um pouco mais de desempenho que talvez eu nem precise o tempo inteiro.
Então até agora eu não sinto que troquei o MacBook Pro por um computador pior.
Eu sinto mais que troquei um computador que fazia muito bem uma coisa por outro que combina melhor com a maneira que eu quero trabalhar hoje.
E se esse Air continuar entregando o desempenho que mostrou nos primeiros testes, talvez essa troca que parecia um downgrade tenha sido exatamente o contrário.



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