MacBook Neo depois de 100 dias: o que eu gostei e o que me incomodou

MacBook Neo após 100 dias: minha experiência real

Eu comprei o MacBook Neo há cerca de 100 dias e, depois desse tempo usando o computador de verdade, acho que finalmente consigo falar sobre ele sem ficar preso só naquela empolgação dos primeiros dias.

E já vou adiantar uma coisa: ele me surpreendeu bastante.

Muita gente chama esse modelo de “MacBook barato”, mas eu acho que essa definição precisa ser usada com cuidado. Ele realmente é uma opção mais acessível dentro da linha, principalmente quando comparado com um MacBook Air ou MacBook Pro, mas barato mesmo, principalmente no Brasil, eu não diria que ele é.

Mesmo assim, depois desses 100 dias, eu entendi melhor qual é a proposta dele. Ele não tenta ser o MacBook mais poderoso. Na verdade, acho que ele faz mais sentido justamente para quem não precisa de toda a potência de um MacBook Pro.

Uma das coisas que mais gostei foi o tamanho

Logo nos primeiros dias uma característica começou a fazer bastante diferença para mim: a portabilidade.

É aquele tipo de notebook que eu consigo colocar na mochila e praticamente esquecer que ele está ali. Para quem trabalha fora, leva o computador para reuniões, faculdade ou simplesmente gosta de mudar de lugar durante o dia, isso é muito bom.

Mesmo sendo uma opção mais simples, eu não achei que a Apple economizou demais na construção. O acabamento é em alumínio e passa aquela sensação de produto bem construído.

Eu gostei bastante até de pequenos detalhes.

A maçã na tampa, por exemplo, não possui aquele acabamento espelhado que eu tenho no meu MacBook Air M5. Pode parecer pior inicialmente, só que depois percebi uma vantagem: ela não fica mostrando aqueles pequenos riscos com tanta facilidade.

O teclado também me agradou bastante e o mecanismo da tampa permite abrir o notebook praticamente com um dedo sem levantar a parte de baixo junto.

São detalhes pequenos, eu sei, mas no uso diário acabam fazendo diferença.

As conexões são simples demais

Nas laterais eu tenho duas USB-C e uma conexão P2 para fones de ouvido. E aqui já aparece uma das primeiras limitações.

Dependendo do que eu quiser conectar, um hub praticamente se torna obrigatório.

No meu caso não foi um problema gigantesco porque já estou acostumado com adaptadores usando outros MacBooks. Para transferir arquivos da câmera, por exemplo, eu já tenho meus acessórios.

O que eu achei interessante é conseguir conectar o MacBook ao meu monitor e usar praticamente como um desktop. Consigo deixar a tampa fechada e trabalhar usando apenas um cabo.

Uma coisa curiosa são os alto-falantes.

As saídas ficam nas laterais. O som é satisfatório, mas dependendo de como eu seguro o notebook posso acabar abafando um pouco o áudio. Usando ele parado na mesa isso praticamente deixa de ser um problema.

A tela é boa, mas não espere a tela de um Pro

A tela foi outra coisa que gostei durante esses meses.

Ela tem uma definição muito boa, cores legais e, para trabalhar, navegar, estudar, assistir vídeos e fazer algumas edições, me atendeu tranquilamente.

O brilho é uma característica que eu gostaria que fosse um pouco melhor.

Só que existe um detalhe importante aqui: eu estou acostumado com outros MacBooks. Quando comparo diretamente com modelos superiores, obviamente começo a perceber essas diferenças.

Existem notebooks com OLED, Mini LED, taxas de atualização maiores e várias outras tecnologias melhores. Só que olhando para o público desse MacBook, não acho que isso seja um grande problema.

Para uso normal, eu considero a tela muito boa.

Teclado e trackpad continuam sendo pontos fortes

Eu consigo passar bastante tempo escrevendo nele sem sentir desconforto.

O teclado é confortável e silencioso. Existe, porém, uma diferença entre as versões.

A configuração de 8 GB de RAM e 512 GB de armazenamento traz Touch ID, enquanto a versão mais simples, com 256 GB, não possui esse recurso.

Para mim, não acho que o Touch ID sozinho justificaria pagar muito mais, principalmente para quem já utiliza outros dispositivos da Apple que facilitam o desbloqueio.

Outra coisa que chamou bastante atenção quando esse MacBook apareceu foi a falta de iluminação no teclado.

Eu também gostaria que tivesse.

Só que na prática isso me incomodou menos do que imaginava. Como as teclas são claras e a própria tela acaba iluminando bastante a região do teclado, eu consigo enxergar razoavelmente bem mesmo quando o ambiente está mais escuro.

Não é igual ter retroiluminação, obviamente, mas também não virou aquele problema gigantesco que eu imaginava.

O trackpad também continua sendo excelente. Ele é diferente dos encontrados nos modelos mais caros e o clique é um pouco mais presente, mas depois de algum tempo eu simplesmente me acostumei.

O desempenho foi a maior surpresa

Aqui provavelmente está a parte mais interessante da minha experiência.

Mesmo com 8 GB de memória RAM, eu não encontrei grandes problemas realizando minhas tarefas comuns.

Navegador, pacote Office, Canva, Photoshop e Lightroom funcionaram muito bem para aquilo que eu faço. E até o Final Cut conseguiu rodar projetos em 4K e 60 quadros.

Isso não significa que ele virou uma estação profissional de edição.

Dependendo do projeto, principalmente quando começo a exigir bastante memória, aparecem algumas engasgadas. Só que trabalhando com o Final Cut praticamente sozinho eu consegui editar tranquilamente.

O maior problema apareceu na hora de exportar.

Em um podcast Full HD com pouco mais de uma hora, por exemplo, minha exportação levou aproximadamente 31 minutos. Já um projeto em 4K 60 fps com cerca de seis minutos levou aproximadamente 13 minutos e 45 segundos no Final Cut.

No Lightroom também consegui perceber bem onde estão os limites.

Em tarefas simples ele foi muito rápido. Exportando 12 fotos, terminou em aproximadamente quatro segundos e meio.

Por outro lado, quando gerei previews 1:1, a diferença ficou enorme. Uma tarefa que levou aproximadamente quatro minutos no MacBook Pro chegou perto de 40 minutos no Neo.

Para mim, isso deixa muito claro o posicionamento desse computador.

Ele consegue realizar tarefas pesadas, mas isso não significa que seja a máquina ideal para trabalhar profissionalmente com elas todos os dias.

Multitarefa com 8 GB funciona, mas eu não abusaria

Eu também fiquei curioso para saber até onde esses 8 GB conseguiriam chegar.

Em um teste mais exagerado, consegui deixar mais de 40 abas abertas no Safari e quase 60 no Chrome mantendo o sistema utilizável.

Só que ninguém usa computador apenas com navegador.

No meu dia a dia tem WhatsApp, Spotify, Telegram, e-mail, armazenamento em nuvem e eventualmente Photoshop ou Lightroom funcionando ao mesmo tempo.

Por isso eu considero algo em torno de 10 a 15 abas junto com os aplicativos normais do dia a dia uma situação muito mais realista.

A bateria é facilmente uma das melhores características

Uma coisa que continua me impressionando é a bateria.

Eu não gosto muito de cravar número porque autonomia muda completamente dependendo do que cada pessoa faz.

No meu uso, trabalhando durante praticamente um dia inteiro, eu consigo algo próximo de 10 horas.

A Apple fala em números maiores, mas eu prefiro considerar aquilo que realmente consegui usando o computador normalmente.

E, para mim, 10 horas já é excelente.

Quem utiliza o computador apenas uma ou duas horas por dia pode passar vários dias sem precisar carregar. E como o carregamento é USB-C, também fica muito fácil levar apenas um carregador dependendo dos outros aparelhos que você usa.

Depois de 100 dias, algumas limitações ficaram claras

Não existe milagre.

Eu gostei bastante do MacBook Neo, mas existem coisas que eu mudaria.

A primeira são as poucas conexões. Para algumas pessoas, comprar um hub praticamente vai fazer parte do pacote.

Também não temos portas USB-C extremamente rápidas, algo que pode incomodar quem transfere arquivos gigantes frequentemente.

E tem o preço.

No Brasil ele apareceu na faixa dos R$ 4.200 no relato original. Nesse valor, eu já não chamaria de “MacBook baratinho”. Dependendo do momento e das promoções, podem existir notebooks Windows muito interessantes nessa faixa também.

Para quem eu compraria esse MacBook

Depois desses 100 dias, eu vejo esse MacBook principalmente como uma máquina para quem estuda, trabalha em escritório, viaja bastante, produz conteúdo de forma moderada, navega muito e quer entrar no ecossistema da Apple sem necessariamente partir para um modelo Pro.

Para esse tipo de pessoa, eu gostei muito do conjunto.

Ele é leve, bonito, bem construído, rápido nas tarefas comuns, tem ótima bateria e ainda consegue ir além do uso básico quando necessário.

Agora, se meu trabalho dependesse diariamente de modelagem 3D pesada, animação profissional, projetos gigantescos de vídeo ou qualquer tarefa onde cada minuto de renderização importa, eu iria para uma máquina mais potente.

E acho que esse é justamente o ponto que ficou mais claro para mim depois de 100 dias.

O MacBook Neo não precisa substituir o MacBook Pro para fazer sentido.

Ele só precisa ser suficientemente bom para aquilo que a maioria das pessoas realmente faz no computador. E, dentro dessa proposta, minha experiência foi bem melhor do que eu esperava.

Matheus Cunha é redator profissional, sendo uma referência, formado em jornalismo pela UFPEL, com mais de 10 anos em jornalismo digital. Especialista em otimização para buscadores e SEO. Formado também em Marketing, unindo expertise técnica e editorial para produzir conteúdos reais, precisos e estratégicos. Contato: matheuscunha@creditfinanceiro.com.br

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